terça-feira, 24 de abril de 2018

Ao Paladar

Géneros
Sabores predestinados
Perpetuamente efémeros
Tremores exaltados
Intimamente

É tão bom quando sabe bem
Em se provando alguém



Ela olha. Ele vê. Os dois São.

Ela enfita, sem hesitação, adornos
Ela fita, plena em contemplação, contornos

Olha para mim
No momento
Olha por mim
Adentro

Dá-me a tua boca
Que é tudo menos pouca

Dá-me o teu peito
Todo ele escorreito

Dá-me a tua gana
Que te consome e esgana

Dá-me que dou
Vem que eu vou…

Ela fita, plena em contemplação, contornos
Ela enfita, sem hesitação, adornos



A Água Ensopa

Um texto
Como pretexto
Para embutir
O nosso entrecho
Sorrir
Ao melhor desfecho

Ardorosa urdidura
Cheia de candura
Amorosa

Tocar água sem molhar?
Não…
Tem mesmo que ensopar
Porque esperas, então?...



sexta-feira, 30 de março de 2018

Xamanismo (Esoterismo)

A chama
Do Xamã
Chama

O Poder

Purificando
À base de não querer ser

Desnovelando
Até ao Recôndito [Verso Oculto]

Lavando
Folhos e entrefolhos do Espírito [Verso Culto]

Eliciando
Os maus génios, os males do Génio

Entendidos os alergénios
O fim do sono alucinogénio

O início do (Sopremo) Entusiasmo

Levitando Sereno…
Um espasmo
Levitando Supremo…
De pasmo

Dissolvido o marasmo, resolvido o pleonasmo
Eis o Orgasmo

O Poder

A chama
Do Xamã
Chama



domingo, 11 de março de 2018

Ela (Respira)

Palpitação
Haurir, parcial (individual)
Exaurir, total (universal)
Pulsação

Ela é um pulsar, inconsciente com potencial consciente, dentro do Grande Pulsar.

Ela é a Respiração, erótica
Que se lhe Revela
Apoteótica

Ela fecha os olhos e visualiza a bailata respiratório de uma água-viva, luxuriosa, tornando leve a densidade pelágica do abismo, filtrando os raios de Sol que perseveram, subaquáticos, transformando-os em Força Vital, graciosa. Ela abre os olhos e absorve a Envolvência, palpável e impalpável, na construção de Si, ao Inspirar, na desconstrução de Si, ao Expirar.

Cosmológica
Das Estrelas

Abóbada Celeste, toda a pele dela, material e imaterial, respira, fronteira fictícia de uma esponja de polpa porífera, concupiscente na elegância com que se cresce, haurida, e se decresce, exaurida, compassadamente…



quarta-feira, 7 de março de 2018

Homenagem ao Duo Circense

Sobre Doçura, apontamentos paralelos, dignos de serem consignados.

Naquela ambiência crepusculina, entrejogando, luminosidades com obscuridades, entressonhando, insanos preliminares.

O Mel. A dúlcida Essência, espessa, undiflava ou acastanhada, do néctar Floral obrada pelas abelhas, sem esquecer o papel dos zangões, e armazenado em favos geometricamente arquitetados. O Mel emanava-se-lhe, copiosamente da Flor.

Ela, concretamente?
Caleidoscópica. Corporal. Psicotrópica. Escultural.
O olor? Era o da fusão dos cremes essenciais, que não imaginas, com a fragrância natural da sua cútis.

Entre os dois?
O amalgamar das rescendências.

Corpos ateados, tochas pulsantes, suando eflúvios aquosos.
Cuspidores de Fogo, volitava-se-lhes uma intensa nuvem de combustível ao redor das peles, alevantadas.

Exercendo a Arte de Amar, ardendo.

Pondo e sobrepondo.
Abrasados ao orgasmo com que se contaminavam, consortes, deliberados.

Em tantrismos circenses, ad lucem.



sábado, 3 de março de 2018

Seios (Munidos de Feitiço)

Tinha os seios munidos de feitiço, portanto, com as propriedades activas do plenilúnio.

Quando ele investia, instigados pela onda sucessiva de penetrantes impactos, enveredavam numa dança sobrepujante. Duas massas de carne saborosa que, ameaçando transbordar, disparatavam em todas as direções, tresloucadas.

Assim se recreavam, os seios, dela, durante o copioso Acto.


(...)