quinta-feira, 26 de abril de 2018

Rendição (Fruição)

Rendida,
Ela inclinava-se, declinando atrás, artística, com moleza, e ele tamborilava o gineceu palpitante da sua Flor
Que beleza, clamorosa.
Ardorosa percussão, aforística.

Devastada, Ela rasgava-se, em brechas delambidas
Rasgada, Ela devastava-se, em sorrisos escachados

Lógicas consumidas, triviais banalidades
Silogismos fulminados, banais trivialidades

A razão? Extrema: tudo por conta da mística conexão entre a boca do Verbo e os lábios do Enstase, um encontro de monta, postrema fruição,

Instituído o Orgasmo
Vertendo, intensamente
Convertendo, devotamente
Entendendo, finalmente…
O quê? A carne como plataforma do derradeiro desencarne, Esse mesmo, O destituído de Forma.



Observando Dinâmicas (Sensuais)

Atento ao impulso dos teus passos decididos.
A passada de uma criatura é o reflexo da sua têmpera, sem tirar nem pôr, pedes escrever e guardar! Observar e delirar!

Meditar é fitar, concentradamente.
Sorver a delícia do momento, no momento, com o momento.
Consumadamente. Como a inerência entre polpa e paladar, sabores teus, que rapto como amores meus.

E deixar um poema, ao teu estratagema, sedutor, alagado de Amor, sem dilema, nem começando, tampouco acabando.

‘Longamente Breve’

As madeixas de brilhos que deixas
Deixando, em passando…
E eu sigo… amando.



terça-feira, 24 de abril de 2018

(Poesia) Aos Cabelos (Teus) que Ondularia (Maresia)

Cabelos ondulados, qual maresia

Sempre que amanhece
Poesia
Sempre que anoitece
Poesia

Sempre que vai
Poesia
Sempre que vem
Poesia
Sempre que "cai"
Poesia
Sempre que tem
Poesia

Sempre que tece
Poesia
Sempre que acontece
Poesia

Cabelos mareados, que ondularia






Post Scriptum: Cabelos ondulados? Nem mareados! Isso é coisa de estado de espírito! Entendes?


Ao Paladar

Géneros
Sabores predestinados
Perpetuamente efémeros
Tremores exaltados
Intimamente

É tão bom quando sabe bem
Em se provando alguém



Ela olha. Ele vê. Os dois São.

Ela enfita, sem hesitação, adornos
Ela fita, plena em contemplação, contornos

Olha para mim
No momento
Olha por mim
Adentro

Dá-me a tua boca
Que é tudo menos pouca

Dá-me o teu peito
Todo ele escorreito

Dá-me a tua gana
Que te consome e esgana

Dá-me que dou
Vem que eu vou…

Ela fita, plena em contemplação, contornos
Ela enfita, sem hesitação, adornos



A Água Ensopa

Um texto
Como pretexto
Para embutir
O nosso entrecho
Sorrir
Ao melhor desfecho

Ardorosa urdidura
Cheia de candura
Amorosa

Tocar água sem molhar?
Não…
Tem mesmo que ensopar
Porque esperas, então?...



sexta-feira, 30 de março de 2018

Xamanismo (Esoterismo)

A chama
Do Xamã
Chama

O Poder

Purificando
À base de não querer ser

Desnovelando
Até ao Recôndito [Verso Oculto]

Lavando
Folhos e entrefolhos do Espírito [Verso Culto]

Eliciando
Os maus génios, os males do Génio

Entendidos os alergénios
O fim do sono alucinogénio

O início do (Sopremo) Entusiasmo

Levitando Sereno…
Um espasmo
Levitando Supremo…
De pasmo

Dissolvido o marasmo, resolvido o pleonasmo
Eis o Orgasmo

O Poder

A chama
Do Xamã
Chama



domingo, 11 de março de 2018

Ela (Respira)

Palpitação
Haurir, parcial (individual)
Exaurir, total (universal)
Pulsação

Ela é um pulsar, inconsciente com potencial consciente, dentro do Grande Pulsar.

Ela é a Respiração, erótica
Que se lhe Revela
Apoteótica

Ela fecha os olhos e visualiza a bailata respiratório de uma água-viva, luxuriosa, tornando leve a densidade pelágica do abismo, filtrando os raios de Sol que perseveram, subaquáticos, transformando-os em Força Vital, graciosa. Ela abre os olhos e absorve a Envolvência, palpável e impalpável, na construção de Si, ao Inspirar, na desconstrução de Si, ao Expirar.

Cosmológica
Das Estrelas

Abóbada Celeste, toda a pele dela, material e imaterial, respira, fronteira fictícia de uma esponja de polpa porífera, concupiscente na elegância com que se cresce, haurida, e se decresce, exaurida, compassadamente…



quarta-feira, 7 de março de 2018

Homenagem ao Duo Circense

Sobre Doçura, apontamentos paralelos, dignos de serem consignados.

Naquela ambiência crepusculina, entrejogando, luminosidades com obscuridades, entressonhando, insanos preliminares.

O Mel. A dúlcida Essência, espessa, undiflava ou acastanhada, do néctar Floral obrada pelas abelhas, sem esquecer o papel dos zangões, e armazenado em favos geometricamente arquitetados. O Mel emanava-se-lhe, copiosamente da Flor.

Ela, concretamente?
Caleidoscópica. Corporal. Psicotrópica. Escultural.
O olor? Era o da fusão dos cremes essenciais, que não imaginas, com a fragrância natural da sua cútis.

Entre os dois?
O amalgamar das rescendências.

Corpos ateados, tochas pulsantes, suando eflúvios aquosos.
Cuspidores de Fogo, volitava-se-lhes uma intensa nuvem de combustível ao redor das peles, alevantadas.

Exercendo a Arte de Amar, ardendo.

Pondo e sobrepondo.
Abrasados ao orgasmo com que se contaminavam, consortes, deliberados.

Em tantrismos circenses, ad lucem.