quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Outro de Tantos Capítulos (Eu e Tu, o Essencial)

Outro de Tantos Capítulos, Só mais Um, O Essencial:

O Fogo precisa da Água tanto quanto Essa precisa Dele. Porquê? Para que se transcenda a manifestação ordinária das coisas e Aconteça o Vapor.

E assim discretamente, volto à Alfazema, desta feita incensada.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Sem saberes quem Sou (Estou)

Vi-Te. Deitei-me sobre o manto de relva que se estendia de mim até ti, tudo só para te poder Tocar o Pulsar. E de algum modo pressentiste-me, e gostaste. Porque naqueles momentos te sentiste Especial sem que houvesse razão para tal. Adorada Pulsação.

É assim o teu efeito sobre mim. Não sei o que saber, porque o que sinto não é do domínio do Sentir. Bela quando sorris, linda quando amuas. És o Ponto de Intersecção, Fruto do Amor consumado entre a Guerra e a Paz num intercurso de intensa Paixão. Pois Sabedoria é entender que Homem e Mulher se ardem até à Anulação.

Deixei-te um Bilhete de Amor, escrito com um Sopro no Ar, de seguida ausentei-me. Fui ver vidas passadas e vidas passaram. Só o Presente conta. Estamos Aqui. Eu Sou. Tu És. Nós Somos.

Renovado, mas sem dizer como nem porquê. Preparado. Saí, a pé como sempre, e recebi de peito aberto o debutar anual do cheiro a lareira no sonoite da Vila Encantada pelo seu Coração de Luz Lunar. E para celebrar, de Alfazema uma Infusão. Encho a tua caneca pintada de cores palpitantes e deixo-a ao meu lado para assim que chegares.

Até lá, já lá estamos.


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Da Dança (Ao Desaguar do Néctar em tua Flor)

Onde estive? Isso interessa se agora estou?

E se for bom demais? Isso interessa se o que não conhece começos jamais conhecerá finais?

Em verdade, o que poderá importar, se realmente nada interessa…

Banida a conversa, porque há quem Ame odiando a retórica, veio a Dança.

E foi descobrir que A tínhamos em nós, que velozes nos tornávamos Nela bastando que déssemos as mãos… Como um Círculo que se fecha dando à Luz o Sentido afinal!

Quando sobrelevámos a moção excedida, comoção!, olvidamos a Vida e a Morte. Alcei-te aos meus braços e tu, de pernas trancadas em mim, ainda tentaste a derradeira resistência que até então nada mais havia feito do que afirmar o teu desconcertado desejo de rendição. Inconsequente, faltaram-te as forças que a mim sobraram. Pois aí já o Mundo não o era, ascendido a um impulso onde não há Dia nem Noite, apenas os matizes dos nossos sons rasgados de prazer. E também as roupas foram condenadas à expulsão perpetua, tendo se pulverizado estilhaçadas pelo nosso avanço.

E sobre uma pista incandescente, a Dança continuou. E sobre um palco incendiado, a peça sobrepujou. E quando esperavas uma direcção sabida, também eu me surpreendi a mim mesmo, abdicando ser o rumo conhecido, lançando-me ao desconhecido.

Foi quando, lendo a entrega com que se abria o livro das tuas já desprotegidas ilhargas, avancei pronunciando beijos versados com um propósito insular…

Ultrapassadas tuas pernas com estes lábios que só conhecem Poesia arremessada para ti, deliciei-me em tua Flor. Beijei-te as pétalas carnudas vibrando-as, e de tanto te deliciares, incontida, desaguaste com o Néctar jorrado.




(…) acércate a mí
abrázame a ti por Dios

entrégate a mis brazos. (…)


(Pasion, Rodrigo Leão & Lula Pena)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

“Penélope” (A Ascensão da Gata que Morreu por Amor)

Clave do Sol…

[Assim que o salão ficava vazio, só nós e a acústica angelical, sentava-te ao meu colo. Pegava nos teus dedos, tu sorrias fingindo um embaraço que sentias, e fazia-os acariciar as teclas de marfim de um lado. Do outro, minha mão solta sobre o que restava de notas e sustenidos liberando a novela de sons solventes ao dorso da qual nos elevávamos…]

Serena, há algum tempo venho sentido, floriu, chegou a hora, vou contar-te a tua estória.

[A pouco e pouco, tu seguias tocando o piano.]

E se tivesses amado tanto que sentisses não conseguir ir mais além? Sem mais Terra, Céu ou Mar para desvendar, o que restaria? Por embaço ou angústia, poderias pensar, “nada, nada mais poderá restar”… Foi assim que ficaste, límbica…

[Lentamente, como o Céu que se põe antes do laborioso pranto do prazer, eu chovia com a melodia.]

Morreste de tristeza, exaurida, silenciosamente foste finando a tua Luz até apagar… Porque te negaram o Sopro Vital da Alma, ser Amada. Pelo ciúme e perfídia dos outros, tu e o teu Amor foram separados em vida. E por ignorarem a morte que sobreveio, estiveram desde então lado a lado. Ambos o sabiam, mas nenhum o aceitava, porque nunca o quiseram ver. Ligados pelas costas, deixaram-se andar, espectrais, vida após vida, ignorando as sucessivas mortes, cada um no colo da melancolia do outro.

[Aspergia teu corpo com o meu e logo despontavam flores em ti. Flores que colhia e desflorava, pétala a pétala. Ah! Primavera...]

Fantasmas do Amor. O tempo todo em que pareceu que estiveram amarrados foi mesmo tempo. E foi por isso que ele te dizia quando falava sozinho: “Parece que tens andado sempre aqui e eu aí”. E foi por isso que te parecia ouvir um sussurro familiar atrás de ti…

[Roupas jogadas ao chão, corpos germinados um no outro, sobre o piano, um imenso jardim no interior de uma caixinha de música onde o par de bailarinos dançavam lentamente rodopiando. Quem eram não pode ser dito, porque o Ser é feito de Som e não de palavras… Que eram sublimes Sonâncias só possíveis ao sentir transcendido, é só o que pode ser testificado…]

“Mas é preciso que continuemos a ser só em Nós?”, perguntou Ele, “Quando podemos ser em Tudo?, respondeste tu. É por isso que digo: “Vai, ascende”. É por isso que prometo: “E assim voará Ele também.”

[Já as luzes da Cidade Luz bruxuleavam sentenciando a brevidade do sonoite e o augúrio do serão, quando disfarçadamente arrumávamos as pautas. As roupas, agora cúmplices, ajeitadas para esconder os vestígios do Amor que ficavam abafados rente ao corpo, sobrepujando-o até ao próximo encontro, que ficava logo selado pelo vinculo entre olhares. Até lá, era aguardar, entre sonhos e suspiros…]

Agora que deixaste que te lavasse os olhos em Água de Rosas e que tive o cuidado de deixá-la escorrer até ao teu Coração… E se te disser que agora são renascidos, que vos sei andarem por aí, na rota um do outro. Tão perto, tão perto de se encontrarem… E se te disser isso?...

[Entretanto, seguiam-se os dias em que o Piano descansava…]

Essa Luz Quente Maternal que sentes, sim, deixa-a envolver-Te… Sim, eu sei, é Maravilhoso. Boa Viagem, Serena, segue Sorrindo…

[Mas o som, escondido no Éter, esse permanecia dançando pela sala.]

Barra dupla.



(Beth Gibbons - L'Annulaire)

terça-feira, 19 de julho de 2011

Analgesía do Amor Físico (Catarina, a Heroína)

Primeiro Acto – A Cúpula do Amor

Primeiro fechamos as persianas. Mas deixamos ranhuras tácticas criando interstícios geométricos que se sucedem em linhas paralelas. Porquê? Para que possam entrar nesgas de Luz e gerar misteriosos padrões espectrais sobre os nossos corpos que, não tarda nada imiscuídos, são pauta de inolvidáveis ritmos supra musicais.

Porque é isso que somos, um Manto Espectral de Cicios Libidinosos…

Desprovidos de trapos e cobertura, fecha-se a Cúpula no interior da qual nascerá a Cópula.


Segundo Acto – Celebração de Corpos

À medida que nos vamos brindando, brincando aos preâmbulos do Amor, andamos, deslindamos… Mais não sei dizer, só fazer… Fazemo-nos, como tal. Sei no entanto que Te desvendo com extremidades, que Me desvendas em concavidades. Trazes-me a Ti. Repeles-Me. Empurro-Te. Puxas-Me. Um jogo de fazer Sede e saciá-la, só para criar mais, e mais, e mais… E bebemos a Água que vem Chuva e que a julgar pela ausência de nuvens só pode chover de Nós. Somos o Céu e a Terra. Precipitamo-nos Chuvada lá de cima, até chegarmos cálidas gotas aos nossos corpos cá em baixo. Mas mesmo essas logo se evaporam no instante do embate com a pele magmática. Portanto, somos o líquido, o volátil e o êxtase da transição que casa os dois estados na sua continuada confluência*.

Mas não fica por aí. Óh, se ficasse!... Essa precipitação sobre os nossos corpos que não param de se precipitar é um Movimento de Eterna Expansão. Sem que mais alguém saiba, porque para isso seria preciso que mais alguém existisse, chamamos-lhe a ‘Celebração Amorosa’ ou quando perdemos o tino a ‘Celebrosa Amoração’. Porque aquando do êxtase, nem as palavras restam, só o Som.


Terceiro Acto – Catarina, a Heroína

E porque jogamos aos nomes, já que ninguém sabe quem nós somos, onde estamos e como Amamos. Porque a nossa missão é só Pulsar**. Tu segredas-me ao ouvido com a ponta da língua, e entre estalidos e crepitações húmidas, revelas-Me o nome do dia… “Catarina, a Heroína”.

“Meu Amor, minha Heroína. Analgesia Nirvânica que despertas este bom e amante Coração. Completemos nossa coroação fechando o circuito.”

Então, de Imersão em Emersão, abafamo-nos de tanto Calor indiferenciado, não sei o que é Teu, nem Tu o que é Meu. Perdidos os saberes, de Amor em Amor, aprendemos a respirar na ausência de ar. E é aí o Ponto. Dá-se a Cessação e vem*** aquele Som em que nos tornamos e deixa de haver Tu e Eu. Só o Som, tudo passa a ser essa Vibração.

Heróicos.





* comunhão
** Irradiar
*** irrompe


Post Scriptum: Em três Actos. Herói que Chove e volta a Chover Heroína.

domingo, 17 de julho de 2011

Rádio (O Rapaz que só sabia Amar)

Era como uma geringonça que transmitia numa frequência invulgar, por isso lhe deram o nome de Rádio.

Era doce e amoroso. Sorrindo um sorrido que reverberava num padrão subtil.

Rádio só conhecia o Amor. E mesmo quando lhe diziam, “Rádio, és Idealista, tem cuidado, não estás no mundo angelical”, ele não fazia caso.

Porque no fundo Rádio sabia muito, ao contrário de toda a gente que teimava em aconselhá-lo, porque quem mais aconselha menos sabe. Mas Rádio sabia mesmo muito, e por isso estava sempre calado. Limitava-se a emitir, silenciosamente, Ondas de Amor. E só quem entendia ficava ao pé dele, os que não eram tocados iam-se, mas não há mal, o seu tempo a cada qual!

O que Rádio transmitia era tão maravilhoso, um Caleidoscópico de Sons, palavras sem significado que formavam um Idioma Poético livre de tradução. E por isso, Rádio apesar de não o dizer emitia: “não pensem, não analisem, não interpretem… sintam… só!”.

Rádio, o Rapaz que só sabia Amar, e que apesar de ser uma estória do passado, ainda está para chegar. Na verdade já cá está, e sempre estará, aparecendo apenas para quem conseguir e se deixar Tocar.

Obrigado. Eu Amo-Te, Rádio…





Post Scriptum: poderia pedir-te desculpa pelas vezes em que te ofereci coisas só porque gostei delas. Mas acho que isso é precisamente o que pouca gente faz. Já reparaste que quase sempre se dá algo a alguém na expectativa que seja uma coisa que vá de encontro ao seu gosto? E se começássemos a presentear-nos com novidade e o inesperado? Não seria dar um passo em frente? Passar de um mundo de hábitos, a um planeta de espontaneidade e magia?... Aqui fica, se quiseres aceitar, é tão somente uma Reverberação do meu Coração!

sábado, 16 de julho de 2011

A Noite é das ‘Miúdas Maduras’ (Quem é Ele?)

- Quem é ele? Interrogou-se num pensar em voz alta, misto de sobriedade e fascínio.
- Não sei. Respondeu terminante, como se pretendesse “cortar pela raiz” algum tipo de “mal” que só ela podia ver.
- Não fala muito, pois não? Manteve-se incólume na Vibração em que estava Sintonizada.
- Não sei, costuma estar ali quieto…
- Acho-o giro! Focada nele, disse-o com o brilho que raiava dos seus olhos de claro angelical.
- Tu e a tua atracção por gajos estranhos! Repreendeu a amiga, já sem qualquer pretensão de a dissuadir a sair de um ‘Espaço Onírico’ de onde já não seria possível tirá-la.
- Óh pá, não é isso!… Insistiu, de beicinho, como quem transmite de outro Plano.
- O que é então? Retorquiu enfim conivente, esforçando-se sem sucesso para encobrir um sorriso inevitável.
- Tem qualquer coisa… Há qualquer coisa com ele, acho-o especial…
- Pois, pois, vamos é embora daqui antes que te percas de vez!
Ameaçando primeiro com cócegas, despertou-a, depois foi puxá-la pelo braço e fazê-la correr consigo em direcção ao centro da Vila. De mãos dadas, correram juntas, rindo-se a meio com os passos ofegantes. A Beleza da juventude que para quem saiba viver é não menos que eterna. A noite era de verão, por isso pedia que fosse vagueada por ‘Miúdas Maduras’ movidas a Sonhos do Coração…


Sim, é Amor…
A Ti dir-Te-ei o meu verdadeiro Nome.
Na verdade, já o trazes dentro de Ti…
Até lá…
Sonha Princesa… E vive.




Desculpa (Ser Sorriso Andante)

Não faz mal, às vezes erramos. É bonito pedir desculpa, mas se a outra parte não aceitar isso já te ultrapassa. Segue o teu caminho, ponto final.

Do mesmo modo, não fiques à espera que te peçam desculpa, mesmo que aches que era tudo e só o que bastava. Isso significa ficar parada e o que se pretende é que sigas caminhando.

Desencanta as decepções. E encanta com teu Sorriso Viajante.

Ama-Te o quanto Te Amo-Te.

Sê Sou.





Post Scriptum: Já te disse que nos teus cabelos trazes as cores da miríade de Brilhos que vêm do Céu?

terça-feira, 12 de julho de 2011

Oriente junto ao Coração (Um Beijo de Luz)

Um Ensaio. O assopro de vento brando vinha serpeando por entre a égide da ramagem das árvores, aliviando-as dos últimos indícios de razão e preparando-as para conhecer a noite lunar, logo após o repouso solar, e então começou o que não tem começo…

O Evento. Assim nasceste dançando, e eu respirando essa tua Graciosidade enquanto vinhas em minha direcção e codificava a tua existência em Poesia, o único Saber capaz de te descrever, Princesa Oriental…

A Deusa. No quente dos teus Beijos Orientais, soube que nessa imensa trança guardavas o ondulado dos teus cabelos onde já me fiz ao Mar, e Revelou-se-me o porquê da minha ancestral Religião às Ondas, voadora tua sedosa penugem…

O Devoto. No aroma moreno da tua pele Oriente incandescente sou o leitmotiv dos cataclismos que de ti brotam nos mementos de prazer, de uma cor que nunca alguém conseguirá extrair, intenso brilho afago, maquilhados olhos tatuados…

A Estória. Fazemo-la nós no Espaço Silencioso dos nossos gemidos lânguidos sempre que o mundo está dormindo e nós Amando, e assim o sustentamos com a Força que emana essa nossa junta fricção, seios exóticos arrebatados…

A Eternidade. Sem se perceber como, mesmo sem se compadecer com o entendimento terreno, o vento voltou ainda mais sereno, cansado da paixão ardida, pleno do Amor celebrado, sussurrando vestígios do que se passou e ninguém notou, a devoção à Cúpula da Entrada Sagrada, e então não teve final o que não conhece fim …

(...)

Te Amo-Te

(…)

Abandona a mete que pensa em prosa;
Reanima outra espécie de mente que pensa em poesia.

Põe de lado toda a perícia em silogismos;

Deixa que as canções sejam o teu estilo de vida.

Passa do intelecto para a intuição,

Da cabeça para o coração,

Porque o coração está mais perto dos mistérios.


Osho, in Intuição

(…)