sábado, 18 de dezembro de 2010

Do Pessoa

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia…
E, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

Fernando Pessoa

terça-feira, 23 de novembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Memento Sensual (Água de Rosas)

A recordação permanece.

Desnudávamos a roupa que dissimuladamente nos trajava do pudor que não queríamos para nós de modo algum. E em pleno impudor nos enlaçávamos num Abraço ora crescente, ora minguante, peito a peito. Meu calor ao teu e o teu ao meu, contíguos e alagados… Só isso…

Banhavas-me em Água de Rosas, para lavar meu Coração, dizias tu. E envolvias de carícias zelosas meu corpo fumegante à medida que seguias deslizando e deitando tua encarnada sedução sobre essa minha rendição. Saber Ser Mulher… É isso…

Teus dedos crepitavam esses símbolos de amor, encantos que só tu sabias lançar, e que ficavam desenhados vivos na minha pele, tela da tua arte, a Arte de Amar. E quando a tua obra te envolvia, deixavas-te engolir… Por isso…

Sedosos, teus lábios ora se mordendo em mistura a um sorriso de prazer, ora expirando maviosos gemidos cantados sobre a transpiração desse tema, eclipsávamos quando deixava de saber em que parte de mim começavam ou acabavam teus seios desaguados… Isso…

A recordação permanece.


E porque sou um Estudioso de Nós na descoberta destas Danças de Fusão que perpetramos, aqui fica mais um capítulo, adornado, do nosso Memento Sensual.

(...)



(...)

Memento (latim memento, lembra-te) s. m. 1 Oração eclesiástica que principia por aquela palavra. 2 Livro de lembranças, agenda onde se anota o que se quer recordar. 3 Obra em que estão resumidas as partes essenciais dum assunto, duma ciência.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Ela (Garota Suave)

Deslizo sobre ti, Melodia. Sempre que embarcamos nessa ‘Metamorfose Ambulante’ em que nos tornamos. Tamanha Alegria. Beijo a beijo, contorno tua cintura inteira. E tu só tens que fechar os olhos e curtir a delícia…

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Tu (Menina Solar)

Tu? Queres que te explique como és?... Posso tentar…

É como se irradiasses. Cada poro do teu corpo transpira a tua Alma. Isso é verdadeiramente milagroso quando vivemos num mundo onde a maior parte das Almas vivem asfixiadas em corpos blindados.

Mas se tentasses sentir o Silêncio aquando da minha presença perante ti, aí sim, terias a resposta que procuras…

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Subindo a Cidade das Sete Colinas (‘It’s The Journey, Not The Destination’)

A Cidade das Sete Colinas. Ruas íngremes, velhas de tantos séculos de estórias e História acumuladas. Subiam os dois a dura calçada em direcção ao anunciado miradouro. Depois haviam de entrar em mais uma das inúmeras ‘Casas de Deus’ que haviam integrado no seu roteiro da ‘Fé’. Ela arfava, dava passos pesados em profundo esforço, como se as pernas lhe pesassem toneladas. A situação desconcertou-o.
- Porque é que estás a andar tão rápido? Protestou em favor dela.
- Porque estou cansada e assim chego lá mais rápido.
- Mas assim vais ficar ainda mais estafada. Franziu todo o seu rosto perante aquilo que não sabia ser falta de discernimento ou pura estupidez. Ainda não repaste que já mal consegues respirar e andar ao mesmo tempo?
- Sim, mas se me despachar chego lá acima mais rápido para depois descansar.
- E já te ocorreu que por esse andar vais chegar lá acima tão cansada que provavelmente nem vais conseguir desfrutar decentemente o que vais encontrar? Já para não falar do que não estás a ver à tua volta?
Quais ouvidos de mercador, ela nem olhou, manteve-se rígida e linear no seu caminho, em manifesta dificuldade. Ele encolheu os ombros e remeteu-se ao silêncio. Paciência. Cada qual aprende como quer e quando quer. O tempo dela há-de chegar. Chegará assim que ela quiser.
Meu dito, meu feito. Ao chegarem ao destino ela despojou-se num banco onde ficou recobrando lentamente, como se o oxigénio todo do mundo não lhe chegasse. Ele foi à sua vida, circulando pelo pátio, gozando a vista sobre a cidade, observando as pessoas e seus movimentos ao redor. Saber andar é saber estar…


Quase toda a gente determina um ponto de destino e esquece o Caminho em si, quando esse é a única coisa que importa. Quase todos os percursos de vida, até a própria experiência da Intimidade, são engavetados nesta perspectiva de correr para obter. Criam-se expectativas em torno de pontos a atingir que não passam de ilusões, fazendo com que a pessoa deixe de viver o momento presente, esteja sempre errando algures entre o passado e um futuro que na verdade não existem, e inevitavelmente desemboque no vazio da decepção a cada vez que atinge uma dessas metas fictícias. Grande parte da ansiedade e tristeza vêm precisamente dessa percepção da vida, dessa incapacidade em ter entendimento e coragem para viver o único momento que existe, o Presente. Olhando as palavras de Dan Millman, The journey is what brings us happiness not the destination.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Espiritualismo Universalista (Perdoar)

Budismo: O ódio nunca é diminuído pelo ódio. O ódio só diminui com o amor – Esta é uma lei eterna.

Cristianismo: Se perdoares aos outros as ofensas que te fizerem, o teu Pai celeste também te perdoará a ti; mas se não perdoares aos outros, então as ofensas por ti cometidas não te serão perdoadas pelo Pai… “Senhor, quantas vezes me ofenderá o meu irmão e eu terei de perdoá-lo? Sete vezes?” E Jesus respondeu-lhe: “eu não digo sete vezes, mas setenta vezes sete.”

Hinduísmo: As pessoas de mente nobre dedicam-se à promoção da paz e da alegria dos outros – mesmo daqueles que os magoam.

Islamismo: Perdoa ao teu servo setenta vezes por dia.

Judaísmo: A coisa mais maravilhosa que um homem pode fazer é perdoar o mal.


Perdoar não é esquecer. É aceitar, compreender e transcender. Ou como me foi angelicalmente sussurrado aos ouvidos da Alma: Liberta-te das emoções de baixa vibração... Transforma a dor, o ressentimento, a angústia, a mágoa... Transformar é aceitar e compreender e não passar por cima. Não existem interruptores. Vai fundo dentro de ti e vê, sente com todo o teu corpo, espírito, mente...


(Nota: as citações de cada uma das diferentes Tradições Espirituais foram retiradas de A Divina Sabedoria dos Mestres de Brian Weiss)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Depois do Amor (Dormindo continuamos a Amar)

A luz que entra pelas ranhuras geométricas das persianas aterra em ti sob a forma de tatuagens espectrais. Aquece o teu corpo destapado pelos lençóis devorados da nossa cama. Tanta paixão que se alguém nos visse diria que nos esquecemos do Amor. Mas nada disso. Somos o Amor Apaixonado. Amorosos e Endiabrados. Voluptuosos e Concatenados.

Agora descansamos, depois de uma noite em que não permitimos aos nossos corpos pousar. De êxtase em êxtase, deixámos a carne esvair-se. E assim, fomos à Alma, lá andámos, por lá ficámos. Esgotados, estacionados, uma Alma é o que somos agora.

A tua perna sobre as minhas, tua cabeça aninhada em meu reduto. Dormimos. E do Outro Lado há quem nos observe em puro deslumbro, quem nos Celebre, por tudo o que Celebramos durante toda a Noite.

Agora, é esse o Silêncio que se faz, em reverência aos Amantes Extáticos. Nós, que dormimos, depois do Amor, continuando a Amar.