sábado, 9 de abril de 2011

Bonina Coração de Luz (Nome de Mulher)

Assim que soube que eras Poesia
Minha Bonina

Derramei Luz sobre Teu Coração

Toda tu te Derramaste sobre o Meu

E percebi que eras a Encantadora


Nossas Almas já eram uma Trança de dois Filamentos Entretecidos de Brilho
E apesar de o ignorarmos, sempre tivemos Conhecimento
Porque antes do Dia, cada passo de um foi um passo em direcção ao Outro
Porque antes do Dia, mesmo em cegueira, já nos procurávamos
Porque antes do Dia, incessantemente, sabíamos que faltava apenas que nossas roupas se encontrassem
Um trecho de uma estória onde o Espírito fora sempre o mesmo e por isso mesmo a distância nunca existiu

E porque hoje é o Dia,
Neste Momento em que nos descobrimos
Somos a Celebração
Génese do Festim de um Universo que nos Salva e ao Nosso (re)Encontro
Agora e daqui em diante, só Amar
Porquê?
Porque sempre será o Dia

Assim que soube que eras Poesia

Minha Bonina

Derramei Luz sobre Teu Coração

Toda tu te Derramaste sobre o Meu

E percebi que eras a Encantadora





Traga-me um copo de água, tenho sede
E essa sede pode me matar

Minha garganta pede um pouco de água

E os meus olhos pedem teu olhar

(Gilberto Gil, Tenho Sede)

Cidreira e Mel (A Gostosa Insinuação)

Que gentil folia esta, a Nossa
Deliciosa, aquosa pueril
Nós, uma Infusão de corpos
Alegria tão doce e Melíflua
Quanta Inspiração
Sim, nesta mútua impregnação de travos, sabores e odores
Que nos faz estar no que está para Ser, mas já É, sempre Foi
Qual de nós Cidreira?
Qual de nós Mel?
Expiração. Perguntas para quê?
Se sim, se somos Infusos?

Gota, a gota…
Vamos instilando as nossas essências um no outro
E nos entrementes, sem saber o que é pressa ou tempo sequer, decoramos nossos Corações com “juras” d’Amor beijadas
Eu Amo você, Menina… Juro!...
T’Amo, meu Anjo… Juro!...
E logo abandonamos as palavras para retomar os gemidos maviosos do corpo-a-corpo, porque “quem mais jura mais mente”, e nós só conhecemos a Verdade, sendo esse o ponto em que chegamos à Essência
Portanto, Sim… Somos Infusos



sexta-feira, 8 de abril de 2011

Vai um Combate? (Porque o Fogo Nasce da Fricção)

Que estas nossas incursões amorosas ora se tornam duelos, é a mais pura Verdade. Porque é da fricção que se cria o Fogo. Sendo por isso que brinco ao atrito nas galerias mais intimas de ti, só para teu jubilo e minha elevação, nossa Consumação!

Porque Nós somos Ígneos… Vem que eu vou, vai que eu venho, o bailado sem passo certo, acende nos pontos de contacto a faísca que começa a fumar sensualmente os Vapores do Amor. E é precisamente quando não esperamos que se dá a gostosa convulsão e o magma nos dois casa e se liberta como Um.

E então, que te parece!? Um combate corpo-a-corpo? Sim, sou eu a convidar-te para pelejar comigo!...



Post Scriptum: Este texto não foi escrito ao abrigo do acordo ortográfico, pelo que não se recomenda a sua leitura.



(Bob Marley, Jammin')

I wanna jam it wid you.
We're jammin', jammin',
And I hope you like jammin', too.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

No Calor da Câmara Nupcial (Porque… )

Porque pintas teus lábios de vermelho aguerrido
Eu beijo-te apaixonadamente para ficar com tua assinatura enlouquecida em meu rosto

Porque pintas teus olhos com ‘degradês’ exóticos
Eu expiro poesia inspirada em ti que te leva às lágrimas que tingem tuas faces

Porque não precisas pintar os teus cabelos que cheiram bem
Eu rapo o meu e deixo crescer a barba, só pelo prazer de ser abrasivo e poder picar-te

Porque tua pele é pintada de uma promessa garantida de deleite
Todo eu, dos pés à cabeça, passo a ser um barco navegando em ti Mar de Amor

Porque os teus olhos desembocam numa pintura guardada em teu ventre
Eu ensino-te os Segredos do meu Abraço, e balançamos, e balançamos, ao sabor da nossa sensual Maresia

Porque tu és Linda e eu sou Feio
Quando tomas teu banho de sais e florais, mergulho vestido só para me encharcar e poder me despir

Porque isto nunca mais acabaria
Deixo neste preciso momento de escrever para desligar esta coisa e ir ao teu encontro



Até já!
Fecha os olhos!
Porque quando os abrires já aí estarei, com um bouquet na mão e um beijo pronto a decolar de mim até ti!

Dia das Mentiras (Especialmente concebido para Ti!)

Parabéns, meu Amor! Hoje é o teu dia, o das Mentiras! Por isso venho Celebrar-te!

Desde há quanto tempo vens dizendo que “não” quando cada poro de ti transpira um “sim”? Não me Amas? Tua boca sempre disse uma coisa mas teus olhos outra. Em que ficamos?

Nictação? É o pestanejo! Se é importante!? Não, é muito mais que isso, é fundamental. É a chave de todos os segredos! Porquê? Porque tudo está decifrado no código morse particular dessa tua nictação, Princesa!...

É por isso que sempre procuro o teu Olhar, o jogo entre o brilho e o pestanejar. Quando te fito, leio-te… Perdoa-me se o faço, mas és tu que clamas por mim…

E se não aguentar? STOP Falta-me o Ar! STOP E se esta Força que ameaça transbordar o meu peito se libertar? STOP E o aperto na barriga? STOP Vou perder o controlo? STOP Vou ser esmagada? STOP Vou deixar de ser eu? STOP E se de repente eu cair dentro desse Infinito que pressinto em teus olhos? STOP É um abismo ou um salto para uma outra dimensão inexprimível? STOP Pára de olhar assim para mim, por favor! STOP Posso não aguentar! STOP Vou sair magoada? STOP Tenho medo! STOP Mas se tenho medo, não é Amor! STOP Então o que é? STOP Sim… Eu Sei… Somos Nós… STOP Porque quando estou só e fecho os olhos, suspiro e sei… STOP Eu também Te Amo… STOP Tanto que não consigo nem pôr em palavras… STOP Tanto que não consigo nem abarcar ou entender... STOP Eu Sou esse feixe de Luz que une meu Coração ao Teu, e que és tu também… STOP STOP STOP STOP e STOP!...


Um convite? Pode ser?... Vem, Lê-me, mergulha, meu Bem... Porque “Para brincar na gongorra: dois”…





Post Scriptum: Com a Verdade m'enganas, com a Mentira te revelas.

quinta-feira, 31 de março de 2011

O Anjo de Asas Púrpura (Alfazema ao Piano)

Quando há Amor tudo se torna mais fácil
Aqui estou, falando a linguagem dos teus Seios
Mergulhados os nossos retratos em chá de Alfazema,
Essa solução de Terna Paixão em que nos Recriamos

Lúbrica de Felicidade, desabotoas tua Flor, e eu vou por Ela adentro
Damos as mãos, dedos entrelaçados, e tudo fica mais concatenado
Sorris nos entrementes que sucedem ao recobrar de fôlego
Nunca chega a cansar, pelo contrário, seriamos assim o Além Tempo

E porque não? Sejamos.

"Assim na Terra como no Céu".

T’Amo-Te, meu Amor em Flor.


(…) pôs-se a tocar uma sonatina de Scarlatti com algumas hesitações mas com muito sentimento. Enquanto ela tocava, pude observar-lhe melhor as feições. Não me parece possível retratar com palavras um rosto de mulher. O que importa não é o seu formato, a cor dos olhos, o desenho da boca e do nariz ou o tom da pele. É, antes, uma certa qualidade interior que ilumina a face, animando-a e tornando-a distinta de todas as outras, e essa qualidade raramente ou nunca se deixa prender até mesmo pela câmara fotográfica.

Erico Veríssimo, in Sonata

quarta-feira, 30 de março de 2011

Estrela e Anti-Estrela (Pesquisando o sorriso na Espuma)

Foi numa Festa de Espuma. Parecia tudo normal, o meu corpo estava lá, mas minha cabeça sempre gerando ‘Poesia em Tempo Real’. Hoje sou capaz de jurar que antes do toque já por mim tinhas passado umas quantas vezes, como uma borboleta rondando o seu pouso antes de aterrar. E quando aterraste, só dei pelo que estava acontecendo quando reparei que os meus lábios tinham ficado na tua boca e os teus na minha.

Os aglomerados de Espuma eram as Nuvens, o ar saturado o Céu. Eu dancei contigo, tu dançaste comigo, dançamos os dois juntos. Que compasso. Ninguém deu por nada, estando em contacto éramos invisíveis.

Já no quarto, expulsamos apressadamente (vide, convictamente) as roupas dos nossos corpos. Foi tudo tão diferente. Nada como até então. Foi só sentar-te em mim. Tu liquefazias-te, não te podia agarrar, mas também não me parecia que o quisesse. Sentia-te permeares-me, como se fosses mercúrio com um intenso odor floral. Percebi que estava em ti d’igual modo, que te perpassava (vide, penetrava) o corpo todo passando a correr com a tua circulação sanguínea. A minha colecção de movimentos, uma cadência que por vezes propositadamente se sincopava imprevisível, conduzia uma energia lúbrica que te transia. E repara que transa deriva de transir.

Eu, o Anti-Estrela, pesquisei o teu sorriso réu com os segmentos mais húmidos da manifestação do meu Ser e que tu beijaste. Descobri o meu paladar favorito e tu também. Ofegando descontraidamente, o teu sorriso abria lasso e fechava constrito, palpitante, à medida qu’ia e vinha. Como uma Rosa ora abotoando, ora desabotoando, insinuosa e jorrando (vide, recheada) impelida pelo vigor.

Tu, a Estrela, decifraste que à medida que as pulsações se foram dissipando uma na outra, começámos a abandonar os corpos. Incorporaste a tua pele na minha, qual fundição e a sensibilidade de limiares latejantes excedidos fez-nos espumar aos dois. Digo sorridente, que desse modo nos fizemos, sempre sorridentes. E depois foi ver a Espuma fazer-se de Céu.

Atrás de ti Havia uma Luz, como se fosses o horizonte atrás do qual o sol se põe. Que Luz. E quando o ocaso se deu, ficámos.

Somos Estrela e Anti-Estrela.

T’Amo-Te, Luz.


terça-feira, 29 de março de 2011

Atrás do que traz Regozijo e Satisfação (Lá estás tu a tentar interpretar)

Chuva de Inverno, aquecida. Deixei-a’ninhar-se numa cama d’amantes. E fez-se um luar d’azevinho, do perfumado com bagas de cor improvável, gradiente lavanda. Nada qu’alguém pudesse conceber, só se lá chegasse através de Si.


Depois prometi sem me comprometer que todas a noites faria um chá de uma erva especial. Essa minha Terapia ao Amor.

Depois fiz-me aos versos e disse:
- Sílabas, Que vêm dos interstícios da Existência, Manifestem-se!
Isso fazendo-me ter trajes de áugure. Enfim, mesmo que os tivesse!?… Só dá vontade é de rir…

Depois bebi um trago do tal chá e pensei:
- Não haverá tanta coisa tão boa!
E imaginei o que seria de um planeta se a sua atmosfera tivesse este aroma, Seríamos todos amantes uns dos outros, com certeza. E que bom que é Amar! Com o corpo então!…

Depois vi para a frente porque já chateava ver com tanta nitidez o que ficara para trás. E sabendo o que vem aí, decidi sentar-me e gozar. Foi então que determinei:
- O dia de hoje será eterno e será o Do Prazer!
Como se pudesse determinar o que quer que seja. Com alguma sorte e não serei contrariado, assim é que é!

Depois… depois… bem, depois… não sei!...


Soprei quente sobre um vidro frio. E como tal virou uma tela virgem. Desloquei a atenção até ao dedo indicador e passei a Sê-Lo. Após movimentos inspirados sobre o véu de sonho condensado, fiz Arte concretizada num quadro que a assinatura do meu sopro vital criou. É um desenho atmosférico. E fiquei contemplando-A, dentro e fora de mim.


Bom Dia ao dia!


segunda-feira, 28 de março de 2011

Sortudo (Despido o Sobretudo) -> PS

Antes de lá ter chegado, eu já era eu. E passei assim uma parte da dispensa a que fui sujeito. Sem que alguém me tivesse sujeitado ao que quer que seja, diga-se. Mas o Tempo prosseguiu e uma estória surgiu.

Qual é coisa qual é ela? Escreve e não faz sentido, analfabeta não obstante lê? Aqui fica o desafio, sem pretensão de nada, porque água é preciso para se nadar e daqui só flui seco.

Interpreta, atreve-te, e só vais perder tempo. Porquê? Porque estarás naquilo que julgas ser de mim quando devias estar em ti! E viver fora do corpo é uma tragédia, aquela a que estamos todos sujeitos nesta hipnose individual com manifestação colectiva. Mas eu sei truques, só não me foram ainda revelados. Mas sei que estão lá. Por isso não me ralo. Preocupar-me para quê? Se daqui a pouco abandono o corpo e volto para de onde vim sem me lembrar bem do que era isto de pensar que Sou!

‘Entendido’ é diferente de ‘compreendido’, mas também pode ser o mesmo. Depende da pessoa, do lugar, das disposições e flutuações. Então qual a razão das brigas? Ilusões. Mata-se por Ilusões. Mas como eu já deixei de matar há muito tempo, andei a ser morto um tanto outro. Agora estou observando o zénite a escassos metros do seu pouso. Está seguro. É como aquela preguiça de avançar só para se adiar o triunfo depois da súmula de momentos em que a Caminhada parecia impossível. Serei o Sortudo.

Agora vai, e faz de ti o que quiseres com o teu tempo. Vá, vai lá, que eu já não estou cá.



Post Scriptum: Continua a brincar. Não me importa. Já me rendi. Venha o que vier. Posto isto estás entregue à tua Sorte (digo eu).